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Economia

Santa Catarina reage ao “tarifaço” dos EUA com pacote de apoio econômico e iniciativas da indústria

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Nesta onda de tensões comerciais, Santa Catarina tomou medidas firmes no final de agosto de 2025 para proteger sua economia das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

I. Medidas do Governo do Estado — Pacote de R$ 435 milhões

No dia 13 de agosto de 2025, o governador Jorginho Mello (PL) anunciou um pacote emergencial de R$ 435 milhões, com o objetivo de preservar cerca de 73 mil empregos nas indústrias catarinenses mais afetadas, especialmente aquelas voltadas às exportações.

O pacote foi dividido em três frentes principais:
• Liberação antecipada do crédito acumulado de exportação — em três parcelas.
• Postergação do pagamento do ICMS, com adiamento de até 60 dias em um período de três meses.
• Financiamento emergencial, via BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), com aporte de R$ 265 milhões.

Conforme divulgado pelo governo, essas medidas visam assegurar a competitividade dos exportadores catarinenses, proteger os empregos e dar fôlego financeiro aos empresários, sem desperdício — diferentemente do que chamou de “gastos exagerados” do plano federal.

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II. Impactos nas exportações e nos empregos

Um levantamento da Secretaria de Estado da Fazenda revela que, em 2024, SC exportou R$ 9,9 bilhões para os EUA, dos quais 95% ficaram expostos às novas tarifas, totalizando R$ 9,4 bilhões. Os setores mais afetados incluem:
• Madeiras e derivados (incluindo móveis): 48,5% das exportações para os EUA.
• Blocos de motor e compressores: 17%.
• Motores elétricos e transformadores: 14,5%.

Esses segmentos respondem por cerca de R$ 8,5 bilhões em exportações anuais, gerando mais de 73 mil empregos diretos, os quais o pacote busca proteger.

III. Iniciativa da indústria — Programa “desTarifaço” da FIESC

Paralelamente, a FIESC (Federação das Indústrias de Santa Catarina) lançou o programa “desTarifaço”, que oferece uma série de serviços gratuitos destinados a indústrias exportadoras e trabalhadores impactados.

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Segundo a FIESC, o impacto já é significativo:
• 69,23% das empresas registraram queda nos pedidos dos EUA,
• 53,84% suspendendo embarques,
• 38,46% renegociando preços, e
• 17,7% concedendo férias coletivas aos funcionários.

O “desTarifaço” oferece:
• Apoio na busca por crédito e benefícios governamentais
• Consultoria para abertura de novos mercados e ajuste de produtos
• Auxílio jurídico e para contratação de bolsistas
• Capacitação e recapacitação de trabalhadores, além de apoio psicológico para recolocação profissional

IV. Apoio específico a micro e pequenas empresas

O Sebrae/SC também mobilizou ações direcionadas às micro e pequenas empresas afetadas direta ou indiretamente pelo tarifaço, como aquelas que exportam diretamente ou que são fornecedoras de empresas maiores. Segundo o Observatório de Negócios do Sebrae, cerca de 23% dessas empresas sentirão diretamente os impactos.

Entre as iniciativas destacadas estão programas como o PEIEX (em parceria com a ApexBrasil), que oferece consultorias para adaptação dos produtos e estratégias de exportação, incentivando a busca por mercados alternativos como América Latina, Europa e Ásia.

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Panorama geral

Santa Catarina articulou uma resposta multifacetada ao “tarifaço” dos EUA, combinando ação pública e privada para amortecer os impactos do aumento de 50% nas tarifas de importação. O estado monitora perdas estimadas em R$ 1,7 bilhão e queda de 0,31% no PIB, conforme projeções da CNI baseadas em dados de 2024.

As medidas estaduais buscam garantir competitividade, preservar empregos e fomentar a adaptação. Ao mesmo tempo, iniciativas como o “desTarifaço” e o apoio do Sebrae visam aumentar a resiliência das empresas mais vulneráveis.

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